A escola não precisa competir com a tecnologia. Precisa ensiná-la.
- Prof. Flávio Bonfá

- 13 de mai.
- 3 min de leitura
Atualizado: 16 de jul.
Editorial: Professor Flávio Bonfá
Conheço escolas onde qualquer coisa ligada a TI é proibida e encarada como transgressão. Isso é como colocar a cabeça na areia e fingir que nada está acontecendo. É uma metáfora perfeita — e infelizmente bastante precisa.
Quando uma escola proíbe ou demoniza TI, IA, celulares ou qualquer tecnologia contemporânea, ela não está protegendo o aluno. Está protegendo a si mesma do desconforto de mudar. O aluno, porém, continua vivendo no século XXI — fora dos muros, sem método e controle. Quando a escola se afasta da tecnologia, algo silencioso acontece: ela deixa de ser o lugar onde o futuro é apresentado. O aluno continua aprendendo — mas não mais com seus professores. Aprende na rua, no escuro da cama, no shopping. A escola vira teatro, é outra coisa, onde ele tem de decorar respostas.
O aluno continua a aprender, só que agora fora da escola, que lhe nega acesso à tecnologia.
Há três efeitos principais dessa postura:
1. Cria uma realidade artificial
A escola passa a ser um ambiente que não corresponde ao mundo real. O aluno aprende a “jogar o jogo da escola”, não a viver no mundo. Isso gera uma dissociação: ele sabe que aquilo não é a realidade. Tudo vira um enorme teatro, e o aluno, sem hesitar, usa escondido IA para redações, provas e trabalhos. E a escola e professores fingem que nada acontece.
2. Desloca o aprendizado para fora da escola
O aluno continua aprendendo tecnologia — mas sozinho, no YouTube, Discord, fóruns, TikTok, etc. A escola deixa de ser protagonista e vira figurante. Pior: perde autoridade intelectual. Como uma pessoa com mais de 3 anos hoje vai acreditar que celular é pecado? Impossível, e impedir à força só resulta em mais problemas e frustrações.
3. Ensina medo em vez de competência
A mensagem implícita é: “isso é perigoso, não toque”. Mas o mundo recompensa quem toca, experimenta e domina. A tecnologia vira coisa do diabo e isso prejudica os alunos em um período em que confiam nos pais e professores. Eles são prejudicados na enorme corrida que boa parte do mundo está inserida.
Um paralelo histórico claro
Escolas que proibiram calculadoras → perderam relevância em matemática aplicada.
Escolas que proibiram computadores → ficaram atrasadas nos anos 90.
Escolas que ignoraram a internet → ficaram irrelevantes nos anos 2000.
Agora, escolas que proíbem IA → correm o mesmo risco.
A tecnologia não é uma disciplina. Ela é o ambiente onde todas as disciplinas passam a existir.
O mais curioso é que a proibição geralmente nasce de uma premissa falsa: “Se permitirmos, os alunos vão usar para não pensar.”
Na prática, o oposto é verdadeiro. Alunos que usam tecnologia com orientação adequada frequentemente:
produzem mais
exploram mais
fazem perguntas melhores
e aprendem mais rápido

A diferença está na mediação, não na proibição.
Dois tipos de escola emergindo agora
Tipo 1 — Escola Museu: Preserva métodos do passado. Valoriza controle. Perde relevância gradualmente. Mas ainda é valorizada por pais que venceram em atividades não digitais ou com pouca tecnologia. Eles pedem disciplina em excesso, decoreba, e acham que o ensino precisa fazer sofrer. Se for prazeroso, é forçosamente superficial e fátuo.
Tipo 2 — Escola Interface: Conecta o aluno ao presente e ao futuro. Ensina a usar ferramentas, não a temê-las. Investem em globalização, conceitos modernos de economia e até em coisas aparentemente sem importância, mas que podem fazer a diferença.
A primeira forma é obediente. A segunda forma é capaz.
Conclusão
A educação precisa evoluir. Não podemos ignorar a tecnologia. Precisamos integrá-la ao aprendizado. Isso não significa que devemos deixar de lado os métodos tradicionais. Significa que devemos encontrar um equilíbrio. A escola deve ser um espaço onde os alunos se sintam seguros para explorar, questionar e aprender.
A tecnologia é uma aliada poderosa. Quando usada corretamente, pode transformar a experiência educacional. Vamos juntos construir um futuro onde a escola e a tecnologia andem lado a lado.
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